• Lidando com a Autossabotagem

      Por Gisele Fessore

      Certa vez, deparei-me com um Coachee que tinha como meta uma promoção bastante significativa na empresa em que trabalhava. O processo de Coaching visava auxiliá-lo a alcançar seu objetivo.
      Jovem, competente e reconhecido, tinha todas as chances a seu favor, mas estava ansioso, tinha medo de não se sair bem na entrevista final com o presidente da empresa, por isso queria preparar-se reforçando segurança e confiança.
      No dia da tão esperada entrevista, esqueceu de colocar o celular para despertar, perdeu a hora, chegou bastante atrasado e claro, não foi promovido porque um dos quesitos mais importantes naquela empresa era a pontualidade e responsabilidade com seus compromissos, e o pior, ele me disse que já sabia desse critério de seleção.

      Quando me contou o ocorrido, o fez num misto de decepção e alívio e, após algumas perguntas, confessou que se sentia culpado por ser bem sucedido enquanto seu irmão passava de um fracasso para outro e por seus pais dizerem que ele tinha sorte ao passo que o irmão, coitado…
      Ora, embora saibamos que o nosso sucesso é produto de nosso esforço e empenho, e que a sorte, nada mais é do que estarmos prontos quando a oportunidade chega, inconscientemente, nos sentimos culpados, principalmente em relação às pessoas mais queridas. Algumas pessoas chegam até a adoecer para não fazer algo importante que mudaria suas vidas.

      Isso acontece o tempo todo conosco.
      Certa ocasião fui convidada para ministrar uma palestra num importante Congresso. Imediatamente me vi às voltas com pensamentos negativos: – e se não gostarem? – sou boa o bastante? – ninguém me conhece, quem sou eu para falar para um público de especialistas?

      A uma semana do evento, tive laringite e perdi a voz… que azar, agora não vou poder ministrar a palestra… seria uma ótima oportunidade de divulgar meu trabalho, mas foi um imprevisto, o que fazer?
      Quando expliquei a situação ao professor que me convidara, ele disse: o que te apavora mais, o sucesso ou o fracasso?

      Hoje sei que foi por não me achar merecedora do sucesso, por isso me sabotei somatizando a laringite, porque é mais fácil do que dizer: não vou porque tenho medo do sucesso e da responsabilidade que vem com ele!
      Quando isso acontece, é comum que nos sabotemos. E por quê fazemos isso?

      Muitas vezes, reconhecemos estarmos prontos para novos desafios, para mudanças qualitativas, começar algo novo. Mas, de repente, nos pegamos cometendo os mesmos equívocos de sempre, estragamos tudo e voltamos ao ponto de partida com a sensação de fracasso e nos dizendo que arriscamos muito, não merecíamos, não estávamos preparados, isso não era mesmo para mim, não daria certo mesmo, etc.
      Caímos em armadilhas que nós mesmos preparamos, nos auto-sabotamos.

      Isso porque, apesar de queremos mudar, inconscientemente não nos permitimos mudar.
      Somos vítimas de nossas próprias crenças limitantes. Tais crenças se formam ao longo de nossa história, ouvimos de pais, amigos, professores, frases como: – você não é bom nisso, nunca vai conseguir sucesso; – você não é comprometido; – você é irresponsável, sonhador, almeja coisas que não são para você, caia na real.

      Bem, com todo este “estímulo” não é de se admirar que nos consideremos menos capazes do que realmente somos.

      É preciso refletir sobre nossas posturas e atitudes frente às mudanças e perspectivas de crescimento e sucesso. Se sempre falhamos no momento crucial, precisamos avaliar se não estamos nos sabotando. Avaliar se a preguiça, o orgulho, a paralisia, a procrastinação, o mal estar súbito, o adoecimento, não são apenas expedientes que estamos usando para sabotar nossa possibilidade de sucesso.

      No entanto, descobrir que estamos nos sabotando pode ser difícil de enxergar, principalmente porque tudo acontece no inconsciente. É mais fácil atribuirmos o insucesso a falta de sorte, aos outros, enfim, preferimos nos iludir acreditando que foi melhor assim.

      Criamos falsas “verdades” sobre nós. A ilusão é um jogo da mente, um modo de lidarmos com situações que não queremos enfrentar. Como o caso de alguém que aprendeu que a virtude está na pobreza e sabota todas as suas expectativas de sucesso financeiro, pois inconscientemente acredita que honestidade e riqueza são incompatíveis; ou a moça que sofreu muito em seus relacionamentos e não se deixa envolver porque os homens não são confiáveis, mas sofre intimamente sua solidão.

      Para nos proteger, construímos uma imagem que não é verdadeira. Apegamo-nos às ilusões que criamos e seguimos pela vida fingindo que está tudo bem.

      Como a raposa de Esopo, enxergamos verdes as uvas que não conseguimos alcançar.
      Reconhecer que não estamos satisfeitos com nossas vidas é um primeiro, e essencial, passo para nos libertarmos das crenças limitantes que nos impedem de crescer e prosperar, assumindo definitivamente a direção de nossas vidas.

      E como nos livramos das crenças limitantes? Ora, substituindo-as por crenças positivas! Acreditando em nosso poder pessoal de realização, atribuindo significado importante a tudo que fazemos e vivemos, desenvolvendo nossa “maestria pessoal”, como diria Peter Senge.
      Na próxima vez que você se perceber entrando num mecanismo de auto-sabotagem, repetindo comportamentos recorrentes que sempre o levaram ao erro e fracasso, respire fundo, e mude.

      Se quiser resultados diferentes, faça diferente!
      Invista no autoconhecimento, aprenda sobre seus mecanismos de ação e reação, seus valores, princípios, busque aquilo que faz seus olhos brilharem, ouça sua voz interior, livre-se de tudo que o aprisiona, enxergue-se como realmente é: um ser humano único e especial, pleno de possibilidades e talentos que estão apenas esperando para serem despertados e desenvolvidos.

      Pratique constantemente a visualização de seus objetivos, procure sentir como se já os tivesse alcançado, pratique a alegria, a flexibilidade e a resiliência; se olhe amorosamente, se aceite, se reconheça merecedor e, principalmente, se permita ser feliz e bem sucedido em tudo que fizer!

      E lembre-se: “a excelência advém da prática”, Aristotelicamente…
      Namastê!

      Texto de Gisele Fessore
      Coach, palestrante e facilitadora.
      Acredito no poder transformador do amor e conhecimento.
      gisele@beloser.com.br

      Original em Holos.org.br 

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